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Nossa História

Linha do Tempo

1848 – Cria-se o Seminário São José, em 14 de maio.

1906 – Cerra as portas do Seminário São José.

1943 – Reabre-se o Seminário São José, no dia 19 de março.

Fotos do Seminário São José na Rua Emílio Moreira – Praça 14

1764[1] 1766[1]

Este prédio ainda pertence à Arquidiocese de Manaus, serviu como escola de formação de eclesiásticos, era o Seminário São José; depois foi colocado a disposição da Universidade do Amazonas (UA), atual UFAM, abrigava o Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

Seminário São José: Reabertura em 1943

Dom Joao da Mata, 1946
Dom João da Mata (1941-48)

Na terça-feira 19, a Igreja festejou o dia de São José Operário, reunindo significativo número de católicos. A solenidade contou com a direção do novo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. São José também é o padroeiro do Seminário local, instalado na Maromba. A caminhada desse estabelecimento de formação do clero já sofreu algumas interrupções. Todavia, pode contemplar alguma retomada emocionante, como a ocorrida em 1943.

Fundado em 1848, com a denominação de Seminário São José, pelo bispo do Pará, funcionou este até o início do século passado, quando teve suspensas suas atividades. Foi nessa conjuntura que o 6º bispo do Amazonas, Dom João da Mata Andrade e Amaral (1941-48), o encontrou ao assumir a diocese.

Não mediu esforços para superar esse obstáculo. Menos de dois anos depois de empossado, na festa do padroeiro da Casa, usando a residência episcopal e auxiliado pelos Salesianos, o bispo reabriu o Seminário, na praça General Osório (edifício demolido) confrontando com o atual Colégio Militar de Manaus. Uma nova interrupção das atividades aconteceria no final da década de 1960.

Dez anos adiante, a igreja do Amazonas começou a colher os frutos desse empreendimento, a partir de 1954 foram ordenados os padres Manoel Bessa; Luiz Ruas; Vicente Albuquerque; Jorge Normando, Moisés e Bernardes Lindoso; Onias Bento; Tiago Brás; Francisco Pinto; Juarez Maia. Um pouco mais a frente, os padres Sebastião Puga e Luís Souza.

Naquela tarde de março, há 70 anos, Dom João da Mata fez a festa, como descreve o matutino dos Archer Pinto:

1 Seminario São Jose OJ. 19março1943
Manchte de O Jornal, 19 de março de 1943

Estiveram presentes ao ato o Dr. Álvaro Maia, interventor federal; Dr. Leopoldo Péres, presidente do Departamento Administrativo do Estado; capitão Antero Azevedo, comandante do 27º BC; Dr. Ruy Araújo, secretário-geral do Estado; professor Antovila Vieira, prefeito municipal; desembargador Arthur Virgílio, vice-presidente do Tribunal de Apelação; Dr. André Araújo, juiz de Menores; Dr. Temistocles Gadelha, diretor do Departamento de Educação; o corpo consular e representantes das Forças Armadas dos Estados Unidos (?), pessoas gradas e famílias e o representante dos nossos diários (O Jornal e Diário da Tarde).

Após a chegada da procissão, que conduzia a imagem de São José, transladada da Catedral para o Seminário, acompanhada da banda de música da Força Policial, e que foi recebida estrondosa salva de palmas, as autoridades, que se encontravam no salão de espera do Seminário São José, foram convidadas a tomar lugar no palanque que se achava armado em frente ao referido estabelecimento de ensino religioso, e onde, a pedido do senhor bispo, o Dr. Álvaro Maia foi recebido com uma salva de palmas.

De uma das janelas do Seminário, Dom João da Mata Amaral pronunciou formosa oração, em que, mais uma vez, evidenciou os seus dotes invulgares de orador e sua sólida e brilhante cultura.

Numa quente tarde de outubro de 1941, tomava posse desta mimosa Diocese de Manaus. E a ideia primeira que me veio à mente foi um Congresso Eucarístico, ideia que, ao calor do calor do coração amazonense, logo se corporificou… Em junho do ano passado – a Igreja Católica viveu em Manaus – a sua hora meridiana. Mais do que uma visão de Tabor foi o Congresso Eucarístico um cântico de ressurreição.
Os raios do sol eucarístico polvilharam de ouro as aguas do Rio-mar – douraram as florestas, iluminaram os céus e as almas da Amazônia.

E nesta hora histórica, já as aguas do monarca dos rios começam a se coalhar de embarcações para a febre da batalha da borracha – as florestas estão vertendo o leite que irá talvez, nos planos divinos, salvar a civilização com o Cristo batizou o mundo há dois milênios – os céus se cruzam de aviões que abrem no espaço uma nova rota que fará de Manaus, uma das maiores e mais importantes capitais brasileiras, — as almas se iluminam, com as claridades sobrenaturais da graça – os corações se povoam de fé intrépida…

E o velho Seminário São José, não resistindo por mais tempo  a esse grito de ressurreição, se levanta das suas gloriosas cinzas. É uma ressurreição que abraça a alma e o corpo do Amazonas.

Não foi em vão que nas noites memoráveis do Congresso apelamos para o Céu: a messe é grande — o trigal já loureja, mas os operários são poucos. O céu ouviu o grito angustiante do nosso peito. Ali estão os jovens em cujos corações  primaveris o Senhor da messe lançou a semente da vocação. Eu os contemplo como alvoradas de padres, as esperanças da Igreja no Amazonas.

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.

Este Seminário sobre ser um templo de fé e saber será, também, uma escola de civismo. No seu salão principal, figurarão os retratos do Presidente da Republica e do interventor Federal, Dr. Álvaro Maia. De par com o cultivo da piedade e das letras crescerão no coração do jovem levita a flor do patriotismo e o culto aos grandes vultos da nacionalidade. O retrato do Dr. Álvaro Maia ali ficará como uma homenagem de gratidão da Diocese ao Governo e povo do Amazonas, por este clima de cordialidade que tem sempre existido entre o Bispo, o Governo e o povo querido deste privilegiado Estado.

Nem um só instante quero pensar que um dia venha a trancar novamente as suas portas o monumento que ora se ergue, sob as benções do povo. Repetir-se-ia a história de Agar, que fugiu para não ver morrer à fome o seu filho Ismael. Não sobreviverei a este dia. O Seminário não fechará. A mulher amazonense, cristã e heroica, estará sempre pronta a dar filhos para o altar da Pátria e o altar da Igreja. O Seminário não fechará porque, se for preciso, abrir-se-á mais um capítulo na história da proverbial generosidade do Governo e do povo do Amazonas.

O Seminário não morrerá jamais. Esta não é uma obra da vaidade do homem. Tem a marca divina. É um milagre do Coração Eucarístico de Jesus.

Salve, Seminário São José!

Em nome dos seminaristas, falou o aluno Geraldo Bessa, saudando as autoridades.

Fonte: http://catadordepapeis.blogspot.com.br/

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